O COLONIALISMO PORTUGUÊS EM AFRICA: uma análise política e ideológica de sua historiografia
DOI:
https://doi.org/10.37334/ricts.v8i2.167Palavras-chave:
Historiografia, Colonialismo, Portugal, África, IdeologiaResumo
A História contém um duplo sentido. Por um lado, é a experiência constituída e vivida pelos sujeitos que lhe configuram o processo histórico com as suas temporalidades, ritmos e sentidos. E por outro, é a ação intelectual de historiadores e historiadoras com o propósito de compreender o vivido problematizando-o. O resultado é a apresentação de uma narrativa urdida a partir do uso de um aporte documental, métodos e conceitos teóricos orientadores da investigação. Mas, não só, porque se trata, também, de um ato político e ideológico. É por isso que um mesmo tema tem versões distintas ou, em outras palavras, uma historiografia. Em vista disso, a análise historiográfica é uma ação importante porque contribui para trazer à tona questões subterrâneas verificadas na relação entre a História, a Memória e o Esquecimento orientando o nosso saber acerca de um determinado tema. Neste caso, o colonialismo português instituído sobre territórios em África, a partir do final do século XIX até 1975. Para o exercício de análise que nos propomos a desenvolver a respeito da relação entre historiografia, política e ideologia que envolve a historiografia do colonialismo português em Angola, escolheu-se as obras - História Geral das Guerras Angolanas, três volumes, de António de Oliveira Cadornega e a História de Angola, quatro volumes, de Jose Ralph Corte Real Delgado. Estas obras foram escritas em tempos diferentes. A primeira no século XVII e a segunda no século XX. Elas têm em comum o tema, ou seja, a experiência portuguesa no ultramar, mais precisamente, em Angola.